sexta-feira, 1 de junho de 2012

Outro lugar


Vento frio soprando nas ruas e uma senhora corcunda, de longos cabelos grisalhos, aproximou-se de uma porta e bateu. A porta ficava no alto de um degrau e dela apareceu-lhe um homem alinhado e calado.

Ambos ficaram se olhando e ninguém nada dizia.

Ela começou a espiar entre o corpo dele e o vão da porta, curiosa por saber se era aquele o lugar que procurava. O jeito diferente provocou também a curiosidade dele.

_ O que quer? _ perguntou.

Ela continuou calada e nenhum gesto manifestou pela provocação. Esticou ainda mais o pescoço, a procurar saber...

_Com quem quer falar? _ ele insistiu em tom mais alto e ela se assustou. Olhou para os olhos dele e abaixou a cabeça. Olhou de novo: “não”, pensou. Não era ele a pessoa, embora até pudesse ser aquele o lugar. Virou as costas lentamente e seguiu pela rua seca e cinza, deserta, apoiando-se em sua bengala.

Mais adiante, olhou para trás e viu a portinha já fechada. Reconheceu: não era aquele também o lugar.


16 comentários:

  1. Fiquei com a pulga atrás da orelha, Regina. Quem era essa senhora? Quem estava procurando? Oh, Céus, não vou sossegar enquanto não inventar uma resposta. :) Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Que mistério delicioso. Adoro mistério!! acho que ela procurava um amor perdido, em uma infância perdida, junto com uma juventude que não existe mais....

    Gostou?

    Beijos.

    ResponderExcluir
  3. Regina, parabéns! Instigantíssimo seu texto. Não tenho dúvida, pela calma e perspicácia dessa senhora, ela encontrará o lugar dela e terá valido a pena a procura. Importa ela não desistir nunca!

    ResponderExcluir
  4. Dela perdida este achado seu maravilhoso. Parabéns.
    Cadinho RoCo

    ResponderExcluir
  5. Olá, parabéns pelo seu blog!
    Se puder visite este blog:
    http://morgannascimento.blogspot.com.br/
    Obrigado pela atenção

    ResponderExcluir
  6. Bom dia, Regina. Saudade dos seus escrevinhos. Será que a tal senhora já sabe o seu caminho?

    ResponderExcluir
  7. Já de volta. Do seu comentário grato pelo carinho, tenho dormido bem.
    Cadinho RoCo

    ResponderExcluir
  8. Bom dia, Regina
    Muito obrigada por suas palavras de conforto.
    Sua amiga tinha razão quanto à ideia do perfume. Realmente o perfume perdura para sempre na nossa memória. Os entes queridos vão para além disso - perduram até à eternidade.
    Mas a saudade é tão grande! E cresce à medida que os dias passam. E a dor continua viva como no primeiro dia. A única coisa que vai acontecendo, ainda que muito lentamente, é a aceitação perante a ausência...

    Gostei imenso deste seu intrigante texto.
    Há sempre algo que procuramos na vida, e, porque não o encontramos, continuamos buscando...

    Um fim de semana cheio de Luz para você.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
  9. Quando a gente pensa que encontrou, vai tudo por terra, mas,
    devemos persistir, na procura...

    Gostei, do misterioso conto...vou voltar, Regina!
    Um abraço,
    da Lucia

    ResponderExcluir
  10. bom artigo, inspirado
    Gosto de ler esta
    Eu também adoro este blog, e siga #41#
    primeira visita à introdução
    Fico feliz se você visitar o nosso
    também seguem de volta
    na espera
    obrigado

    ResponderExcluir
  11. Caraca... adorei e não poderei parar de pensar nessa historia. Terá uma continuação?????

    ResponderExcluir
  12. Oi, Camila! Obrigada pela visita. Fico feliz por você ter gostado da história. Estou escrevendo a continuação dela, mas infelizmente, muito devagarzinho, porque meu tempo para escrever tem sido muito pouco nos últimos meses. Mas está quase pronta a segunda parte, espero que você goste também:)

    ResponderExcluir
  13. Oi, Regina... fiquei a pensar... quantas vezes nos enganamos, não é mesmo? No íntimo temos certeza, mas não há reciprocidade, então melhor mesmo é seguirmos...
    Abraço, Célia.

    ResponderExcluir