terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Davi



Imagem: biografia.inf.br


Tirando pedra da pedra
O artista arrancou
A que sobejava.
Lapidou o corpo
Que o inquietava.

À pedra ele se entregava
E ela lhe revelou
O homem que em si trazia,
Deslumbrando-o
Com o que ele já conhecia.

Sublimando a sua pedra
Deu a ela quase o sangue
E olhos fundos de mar-
-morre a pedra, nasce
A arte, o mitigar.

Misturando-se à sua pedra
Grandes mãos ele moldou
− Desproporção calculada −
Deixando outra pedra,
Na pedra da mão, guardada

Tentava imitar a obra
Do primeiro criador,
Que ao pequeno pastor
Deu as mãos
Para a guerra e o louvor
Para a lira e a peleja
Para a pedra que o sagrou
Menino-Rei.


9 comentários:

  1. Linda a poesia e merecida homenagem ao Menino-Rei Davi. Digna da Menina-Rainha Regina, poeta e Davi na vida real.

    Cláudio Marques.

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  2. Que lindo! Delícia de ler!
    Talvez por eu estar passando por uma fase fe obstáculos encarri tua poesia e a lapidação da pedra como minha própria vida!
    Me agradou demais!
    Beijos!

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  3. Lindo poema, Regina! Você tem percepção e sentimentos delicados. Alma de poeta criando suavidade. Parabéns!

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  4. Olá, Regina
    Uma linda imagem para ilustrar um belo poema, numa alegoria ao grande Davi. Gostei muito.

    Obrigada pelos parabéns à minha «CASA».

    Bom fim-de-semana.
    Beijinhos

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  5. Criar, recriar faz parte da natureza humana, onde reside nossa beleza e nossa perdição. Parabéns por retratar um momento que nos define. beijos. beth

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  6. Oi querida! Gostei do seu blog e estou te seguindo!!
    Bom final de semana anjo! Bjoo!

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  7. Gostei muito de seu poema. Há achados de grande beleza. Chamaram minha atenção, também, seu refinamento, e o domínio da linguagem.

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