quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Caleidoscópio


Google images

Foi à cabeça, o coração
Com espelhos coloridos
— Alto lá! Nada de tirar
Minhas coisas do lugar —  mas
Já é tarde, o dia declina e
Vencida, ela arrasta o trinco
Da porta que a prendia.

— Quero este azul com tecido
E o amarelo com vestígios
De sol, pra que não te escondas.
Quero verdes em tons vários
Pra que eu pouse e me recolha
Para ouvir o invisível
No movimento das folhas.

— Dá-me também este vermelho
Que nele eu o sinto pulsando
Dele eu preciso pra vida
Sinto-me recomeçando.
E naquele outro, o que há? —
Vê-se um marcador do tempo
Com a hora da partida.

— Que vidraça desbotada!
Por que a trazes? É tão dura.
Não quero esta. Obrigada.



7 comentários:

  1. E, nessa vidraça desbotada traça-se a hora da partida... Um poema com o tempo da partida friamente visível no caleidoscópio da vida! Belos e filosóficos versos, Regina!
    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. Regina, sua gênia! Tive que ler duas vezes para entender quem falava o que pra quem. Valeu a pena. O poema é show e, agora que o compreendo, posso reler tranquila sempre que quiser. Parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Caleidoscópio de quê?
    Da VIDA!!!!
    Parabéns, Reginaaaaaaa!

    ResponderExcluir
  4. Você é ótima. Nada mais a declarar.
    Cadinho RoCo

    ResponderExcluir
  5. Vc tem um enotme talento Re! Parabéns, quando comecei a ler, pensei que fosse uma música.
    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Olá Regina,
    O coração e sua sabedoria.
    bj amg

    ResponderExcluir