sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Bordados de Guadalupe


Combinação das imagens da Virgem de Guadalupe e de Frida Kahlo, importantes figuras femininas do México
www.etsy.com



Quando a minha dor me fala
Vai me alinhavando, fere e
De alguma morte, me salva.
Sigo, apesar dela aqui
E ela, a pesar em mim,
Transpassa-me, remendando
As minhas asas de pano.

Tenta, dor, nas longas asas,
Dar pontos sem causar danos
Não posso mais arrastá-las.
Eu vou pra longe, até onde está
A menina de Guadalupe
Das astecas fiandeiras
Da pele de sol vermelha.

Guadalupe, a mãezinha,
Vai refletir-me em seus olhos
Vai aquecer-me num manto
De algodão e rosas bordadas
Tão reais que até espinham
Tão reais que inebriam
Com cheiro de flor e acalanto.





12 comentários:

  1. Poema lindo, de arrepiar! Parabéns, Regina! Seus versos demoram a aparecer no blog, mas valem cada minuto de espera. Beijos!

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  2. Uma belíssima oração contemplativa!
    Extasiante!
    Amém!

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  3. Você cresce na poesia e na vida, a cada dia. Parabéns, Nega!

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  4. Rê, que lindo. Quando vejo anúncio de que postou algo aqui já me preparo para o banho de emoção. Você é ótima.

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  5. Inspiração mariana de altíssimo teor.
    Cadinho RoCo

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  6. Querida Regina
    Tenho andado, aos poucos e de acordo com a disponibilidade de tempo, a agradecer a presença na "festa de aniversário" da minha «CASA».
    Hoje chegou a sua vez! Algum dia havia de chegar -:)
    Obrigada!

    O seu poema é muito lindo, e comovente.
    Causou-me um arrepio... bom, já que está imbuído de muita esperança.

    Um óptimo final de semana.

    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  7. Voltei a este poema e o senti diferente, como se vida própria tivesse e de repente não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, ele se transmudasse a me causar espanto. Terá vida? pensei.

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  8. Voltei a este poema e o senti diferente, como se vida própria tivesse e de repente não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, ele se transmudasse a me causar espanto. Terá vida? pensei.

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