quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Acorde, palavra


Picasso: Grande Baigneuse au Livre


Quem é essa que tem medo
De um livro ainda fechado?
Quem aquela que o abre
Sem recuar ante o achado?
Quem mergulha e relata
Com gozo os seus pecados,
E não pontua seus contos
Nem depois de terminados?
Quem aquela que oferece
Sua língua em leituras
E quer devorar faminta
Nossas orelhas astutas?
E aquel’outra que não fala,
E pede em olhos ardentes
“Lê pra mim, Sê a palavra!”
Olhando a estrela cadente?
Morreram todas em folhas
De solidão que escolheram
O dia ainda era um prelúdio
E os sopros entardeceram.
Oh, meu Maestro, permita!
Aceite que eu repita
Meu ensaio e minha prova
De canção que quer ser dita.





5 comentários:

  1. Nossa cultura enterra realmente cada vez mais "A Palavra"...
    "Morreram todas em folhas
    De solidão que escolheram
    O dia ainda era um prelúdio"
    ... e ficamos nós, operários da Palavra, sem ação diante de nossas línguas e olhos famintos da leitura, do saber...
    Abraço, Regina e, aplausos pela excelente reflexão.

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  2. Minha querida amiga Regina
    A espera foi longa, muito longa, mas a recompensa valiosa…
    Um poema de grande profundidade, digno da maior reflexão.
    A Palavra, digna desse nome, é cada vez mais escassa.
    O que se escreve não merece ser lido?
    Ou o interesse pela leitura diminui a olhos vistos?
    São perguntas de difícil resposta… talvez porque as palavras “morreram todas em folhas de solidão” e quem as escreveu não tem coragem para as mostrar ao mundo…
    Adorei o poema… mas fez-me crescer água na boca.
    Por favor, Maestra, não me deixe morrer à sede…

    Dias felizes e...
    Bom Fim-de-semana
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  3. Temos gostos semelhantes... eu também adoro água, de preferência mar, mas... à falta dele, pode ser um lago ou um rio... :)))
    E também adoro passear na mata.
    Obrigada pela presença e comentário.

    Bom Fim-de-semana
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  4. Querida Regina
    Obrigada pelo seu comentário na minha "CASA", de que gostei imenso.
    De facto as tradições vão-se perdendo, aos poucos, o que é uma pena, pois elas nos trazem grandes ensinamentos.
    É como uma árvores cujas raízes vão secando... à falta de serem regadas e conservadas.

    Desejo que tenhas um excelente 2017, pleno de felicidade.

    Votos de uma semana muito feliz.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  5. Que versos reflexivos e profundo, oriundos de uma mente em efervescência poética. Parabéns!
    Abraços!

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